Quantos BTUs o seu quarto de 12 m2 realmente pede
9.000 ou 12.000: para 12 m2 a loja só etiqueta essas duas
Para um quarto de 12 m2 a escolha é entre 9.000 e 12.000 BTU/h. Entre essas duas capacidades a tabela do PBE tem 6 linhas em 1.063. Todas as seis chegam à loja etiquetadas como 9.000 ou como 12.000. Fica em 9.000 o quarto de duas pessoas, com pouco vidro e sem sol da tarde na janela. Sobe para 12.000 a partir de 2,96 m2 de vidro oeste sem sombreamento externo. Equipamento ligado no quarto empurra na mesma direção.
BTU/h mede o calor que o aparelho tira do ambiente, não a eletricidade que ele puxa da tomada. Se essa distinção ainda embaralha, ela está inteira em por que 9000 BTUs não são 2637 watts na sua conta. Aqui o assunto é outro: qual dos dois números você compra.
A regra de bolso que todo resultado de busca repete devolve 7.200 BTU/h para 12 m2. Esse aparelho não existe.
Para 12 m2 o mercado entrega 9.000 ou 12.000 BTU/h. Quem decide entre os dois é o sol da tarde: a partir de 2,96 m2 de vidro oeste nu, o 12.000 passa a se justificar.
Por que 7.200 BTU/h não é resposta: essa capacidade não existe
A tabela de Condicionadores de Ar do PBE/INMETRO, com data de atualização de 31/12/2025, traz 1.063 linhas de Split Hi-Wall, todas com registro ativo. Em 1.060 delas a coluna de Btu/h está legível: três linhas da GREE vêm com a célula truncada, e nelas a capacidade só aparece em watts. Nenhuma das 1.063 fica abaixo de 9.000 BTU/h.
| Capacidade | Linhas de Split Hi-Wall na tabela vigente |
|---|---|
| Abaixo de 9.000 BTU/h | nenhuma |
| 9.000 BTU/h | 219 |
| 10.000 BTU/h | 2 |
| 11.000 BTU/h | 4 |
| 12.000 BTU/h | 264 |
| 15.000 BTU/h | 1 |
Os 219 registros de 9.000 e os 264 de 12.000 são o que você encontra na loja. Entre as duas capacidades a tabela tem 6 linhas em 1.063: duas de 10.000 BTU/h e quatro de 11.000. São dois LG, o S3NW12JAQAL e o S3NQ12JAQAL, e quatro Samsung, o AR12DYFACWKNAZ, o AR12DYFZAWKNAZ, o AR09CVHZAWKNAZ e o AR09CVFAMWKNAZ.
Olhe o código de cada um. As duas linhas que declaram 10.000 BTU/h são AR09, e as quatro que declaram 11.000 trazem 12 no nome. A capacidade intermediária existe no registro do INMETRO e não existe na etiqueta: essas seis são vendidas como 9.000 e como 12.000.
Um resultado de 7.200 BTU/h não é um aparelho. É um número.
O 7.500 BTU/h que dois concorrentes recomendam existe, e não é um split. São duas linhas de aparelho de janela, dentro das 13 linhas de janela que a tabela inteira tem. Somadas às duas de 7.000 e à única de 8.000, tudo o que se vende abaixo de 9.000 BTU/h cabe em cinco linhas.
De onde vem a regra dos 600 BTU/h por metro quadrado
O Buscapé publica a versão completa. São 600 BTU/h por metro quadrado para até duas pessoas, e 800 por metro quadrado quando há incidência solar. Some 600 por pessoa extra e 600 por equipamento no ambiente. A calculadora do WebArCondicionado implementa a mesma conta, com um detalhe diferente na ocupação.
Aplicada a 12 m2, a regra devolve 7.200 BTU/h no caso base e 9.600 com sol. Sobe para 10.200 quando entra uma pessoa ou um equipamento a mais. Arredondados para o que existe à venda, os três viram 9.000, 12.000 e 12.000. É daí que sai a resposta binária do começo do texto, e é o único uso honesto que essa regra tem.
Nenhum dos dois sites diz de onde saem os 600 e os 800. Das três páginas do top 10 que abriram para leitura, a única que aponta uma origem é a calculadora da Dufrio. Ela cita a ABNT NBR 5858:1983, de cálculo simplificado de carga térmica. O texto dessa norma também é pago e também não foi lido aqui, então este post não confirma nem desmente a filiação.
A pegadinha da SERP. Três páginas do top 10 abriram para leitura, e as três repetem os mesmos coeficientes. Duas não citam origem nenhuma. A Dufrio cita três normas da ABNT, e duas são de cálculo de carga térmica mesmo. A NBR 5858:1983 se chama “Cálculo simplificado de carga térmica”. A NBR 16655-3:2019 é o “Método de cálculo da carga térmica residencial”, a Parte 3 da norma de instalação residencial de split. A terceira, a NBR 16401:2008, entra sem dizer qual das partes. O buraco da auditoria está em outro lugar. A página publica o coeficiente de 600 a 800 BTU/h por metro quadrado e um acréscimo único de 30% para sol. Só que o formulário pergunta se o sol bate de manhã, à tarde ou o dia todo. O que cada período faz com a conta não está escrito em lugar nenhum.
O que o cálculo de verdade soma, e o que a área não vê
O método correto tem nome: cálculo de carga térmica. A norma brasileira de projeto é a ABNT NBR 16401-1, “Instalações de ar-condicionado, Sistemas centrais e unitários, Parte 1: Projeto das Instalações”. A Parte 2 trata de conforto térmico e a Parte 3, de qualidade do ar interior.
O texto dessa norma é pago e não foi lido para escrever isto aqui. O que este post afirma sobre ela vem do “Guia para Eficiência Energética nas Edificações Públicas”, do MME e do CEPEL. É esse guia que lista quais parcelas uma carga térmica soma.
| Parcela | Origem | O que a regra de bolso faz com ela |
|---|---|---|
| Radiação solar direta pelas janelas | Externa | Vira o salto de 600 para 800 BTU/h por m2 de piso, sem perguntar orientação nem tamanho do vidro |
| Condução pelas paredes externas | Externa | Ignora |
| Infiltração de ar externo por frestas | Externa | Ignora |
| Ar de ventilação | Externa | Ignora |
| Transmissão entre áreas internas adjacentes | Interna | Ignora |
| Pessoas, por queima metabólica | Interna | 600 BTU/h por pessoa extra |
| Iluminação e equipamentos que dissipam calor | Interna | 600 BTU/h por equipamento, iluminação de fora |
| Perdas por dutos | Interna | Ignora |
Antes de somar qualquer parcela, o guia exige um levantamento. Temperaturas interna e externa de projeto, fixadas por norma para a zona bioclimática. Orientação geográfica de cada fachada. Horários, número de pessoas e intensidade da atividade. Layout. Potência e quantidade de luminárias e equipamentos. E os materiais construtivos: paredes, lajes, vidros, esquadrias, elementos de sombreamento e portas externas.
A regra de bolso pede um número só, a área do piso, e deriva tudo o mais dele.
A janela oeste às 16h pesa mais que um metro quadrado de piso
O manual “Sistemas de Ar Condicionado e Refrigeração”, da ELETROBRÁS, do PROCEL e do CEPEL, mede exatamente o que a área do piso não enxerga. O exemplo é uma janela de 100 ft2, ou 9,29 m2, de vidro comum de 6 mm. Virada para o oeste, no Rio de Janeiro, em dezembro.
| Ganho pela mesma janela | Às 10h | Às 16h |
|---|---|---|
| Vidro sem veneziana | 1.694 BTU/h | 7.531 BTU/h |
| Vidro com veneziana externa clara | 252 BTU/h | 1.121 BTU/h |
Divida pelos 9,29 m2 e o exemplo fica portátil. Cada metro quadrado desse vidro vale 182 BTU/h às 10h e 811 BTU/h às 16h.
Compare com a regra de bolso, que cobra 600 BTU/h por metro quadrado de piso. Um único metro quadrado de vidro oeste sem sombreamento, às quatro da tarde, pesa mais do que isso sozinho. Trocar a janela de lado não altera nada na área do quarto.
O guia do MME resume o mecanismo em uma linha: “As fachadas Leste e Oeste ficam sujeitas à radiação solar no início e no final do dia, respectivamente, com incidência mais horizontal.”
Esses números valem para as condições do exemplo, que são específicas: Rio, dezembro, oeste, construção de 100 lb/ft2. Não são constante universal. O que se transporta para o seu quarto é a ordem de grandeza da diferença entre um vidro nu e um vidro protegido por fora.
A mesma janela, na mesma hora: 811 BTU/h por metro quadrado de vidro sem proteção, 121 BTU/h com veneziana externa clara. A diferença inteira é uma peça pendurada do lado de fora. A área do piso do quarto não muda um centímetro.
Quantos metros de vidro oeste justificam o 12.000
A regra de bolso esconde um número dentro dela. Subir de 600 para 800 BTU/h por metro quadrado de piso é cobrar 200 a mais por metro quadrado. Num quarto de 12 m2, são 2.400 BTU/h. É a distância exata entre os 7.200 do caso base e os 9.600 do caso com sol. É esse acréscimo que empurra o arredondamento de 9.000 para 12.000.
Do outro lado está o número medido. O exemplo do PROCEL dá 811 BTU/h por metro quadrado de vidro oeste sem sombreamento às 16h. Divida um acréscimo pelo outro e o “com sol” da regra ganha tamanho em metros de vidro.
2.400 BTU/h divididos por 811 BTU/h por metro quadrado de vidro dão 2,96 m2. A partir dessa área de vidro oeste sem sombreamento externo, a janela sozinha consome todo o acréscimo solar que a regra concede. É onde o 12.000 deixa de ser exagero. Abaixo dela, a regra dá mais folga do que a janela pede.
Para dar escala ao limiar: a janela do exemplo do PROCEL tem 9,29 m2, e 2,96 m2 é menos de um terço dela. Uma janela de correr larga virada para o poente chega lá.
Com veneziana externa clara o mesmo metro quadrado cai para 121 BTU/h. Consumir os mesmos 2.400 BTU/h exigiria 19,8 m2 de vidro, mais do que cabe na parede de um quarto de 12 m2. Sombreamento por fora tira a janela oeste da conta inteira.
O limiar não é constante nacional. Ele vale para as condições do exemplo: Rio, dezembro, fachada oeste, vidro comum de 6 mm, construção de 100 lb/ft2. O que ele faz, e a regra de bolso não faz, é dizer a partir de quanto vidro o sol muda a resposta.
Duas pessoas por dormitório, e quanto elas pesam
Quantas pessoas entram na conta de um quarto não é chute. A Portaria nº 309 do Inmetro, de 6 de setembro de 2022, no anexo de edificações residenciais, é literal: “deve-se considerar duas pessoas por dormitório”.
Quanto uma pessoa dissipa está no manual do PROCEL, na página 50. São 61 kcal/h de calor sensível mais 52 kcal/h de calor latente. O total de 113 kcal/h dá 448 BTU/h. O manual registra a condição do valor, e ela não é a de um quarto: escritório, a 24 °C, na tabela 10 A da ABNT. Serve como teto para um dormitório, porque quem dorme dissipa menos que quem trabalha.
A regra cobra 600 BTU/h “por pessoa extra” e nunca diz quantas já estão na base. No Buscapé, os 600 BTU/h por metro quadrado valem “para até duas pessoas”. Na calculadora do WebArCondicionado a primeira pessoa não conta, e cada uma depois vale 600. São duas leituras da mesma regra, com resultados diferentes para o mesmo quarto.
Duas pessoas num quarto de 12 m2 é o caso normal, não o extremo. Quem muda a conta é o terceiro corpo, o berço no mesmo quarto ou o quarto que também é escritório.
A região quase não muda quantos BTUs, ela muda quantos meses
A máxima normal de janeiro em Porto Alegre é 31,0 °C. No Recife, 30,8 °C. Dois décimos de grau, dentro da resolução do dado: no auge do verão as duas cidades empatam. É o empate que derruba a premissa mais comum do tema, a de que o sul pede menos BTUs que o nordeste.
| Capital | Máxima normal de janeiro | Máxima normal de julho |
|---|---|---|
| Cuiabá | 33,0 °C | 32,2 °C |
| Manaus | 31,3 °C | 32,5 °C |
| Fortaleza | 31,2 °C | 30,6 °C |
| Porto Alegre | 31,0 °C | 19,7 °C |
| Salvador | 31,0 °C | 26,6 °C |
| Recife | 30,8 °C | 27,9 °C |
| Goiânia | 30,6 °C | 30,6 °C |
| Natal | 30,4 °C | 28,4 °C |
| Florianópolis | 29,4 °C | 21,1 °C |
| Belo Horizonte | 28,7 °C | 24,9 °C |
| São Paulo | 28,6 °C | 22,9 °C |
| Curitiba | 27,1 °C | 20,1 °C |
Estações do INMET: Salvador em Ondina, Recife no Curado, São Paulo no Mirante de Santana.
A diferença entre as duas cidades está em julho: 19,7 °C em Porto Alegre contra 27,9 °C no Recife. O aparelho do quarto no Recife trabalha o ano inteiro. O de Porto Alegre passa meses desligado, com a mesma capacidade instalada na parede.
Região quase não muda quantos BTUs você precisa, ela muda quantos meses você paga.
O país não é plano, e o extremo não está nas capitais. Entre as 175 estações com dado de janeiro, a máxima normal vai de 22,8 °C a 35,1 °C. O piso é São Joaquim, em Santa Catarina, e o teto é Patos, na Paraíba.
Um aviso sobre esses números, porque a confusão é fácil: normal climatológica não é temperatura de projeto. A normal é a média das máximas mensais entre 1991 e 2020. A de projeto é fixada por norma para a zona bioclimática. Nesta seção a normal serve só para comparar cidades entre si.
O que custa subir de 9.000 para 12.000 sem precisar
Nas medianas da tabela do PBE, um 12.000 BTU/h consome 120,6 kWh a mais por ano que um 9.000. São 484,6 contra 364,0 kWh, ou 33,1% de diferença. Em mês, 40,4 contra 30,3 kWh.
Esse é o consumo declarado no ciclo de ensaio do INMETRO, que cobre o ano inteiro num padrão médio de uso. Não é a sua conta.
| Indicador | 9.000 BTU/h | 12.000 BTU/h |
|---|---|---|
| Potência elétrica a 35 °C, menor | 500 W | 830 W |
| Potência elétrica a 35 °C, mediana | 800 W | 1.129 W |
| Potência elétrica a 35 °C, maior | 1.090 W | 1.600 W |
| Consumo anual declarado, menor | 216,0 kWh | 287,0 kWh |
| Consumo anual declarado, mediana | 364,0 kWh | 484,6 kWh |
| Consumo anual declarado, maior | 640,0 kWh | 946,7 kWh |
| Linhas coerentes usadas na conta | 215 | 258 |
A parte contraintuitiva está na sobreposição das duas colunas. 253 dos 258 modelos de 12.000 BTU/h consomem menos que o pior 9.000 da tabela, que declara 640,0 kWh por ano. E 12 deles consomem menos que a mediana dos 9.000.
A dispersão dentro da mesma capacidade explica isso: 2,96 vezes entre o melhor e o pior 9.000, e 3,30 vezes nos 12.000. O melhor 12.000 da tabela é um Samsung, com 287,0 kWh por ano, IDRS 7,00 e classe A. O pior é um VIX, com 946,7 kWh por ano, IDRS 3,14 e classe F.
Subir de capacidade sem precisar custa 33,1% nas medianas. Escolher mal o modelo dentro da capacidade certa custa até 3,30 vezes. Essa dispersão está medida linha a linha em quanto um split de 9000 BTUs gasta por mês.
Para transformar essa diferença em reais, use a calculadora de consumo em kWh logo abaixo. Ela pede a potência do modelo, as horas por dia e a tarifa impressa na sua fatura.
Como decidir o seu quarto em cinco minutos
- Meça a área e o pé-direito. Os 12 m2 são a base, e o pé-direito alto acrescenta volume que a regra de bolso nunca cobra.
- Veja para que lado a janela dá. Oeste e leste recebem sol horizontal, no fim e no começo do dia. Oeste é o caso que coincide com a hora em que o quarto está quente.
- Meça o vidro, não a parede. É a área envidraçada que entra na conta. O limiar é 2,96 m2 de vidro oeste sem sombreamento externo. Cada metro quadrado dele vale 811 BTU/h às 16h no exemplo do PROCEL.
- Olhe o sombreamento por fora. Veneziana externa clara derruba o mesmo metro quadrado para 121 BTU/h. Cortina por dentro não faz o mesmo serviço.
- Conte quem dorme ali. Duas pessoas é a referência do Inmetro para dormitório, e cada uma vale até 448 BTU/h.
- Liste o que fica ligado à noite. Computador, TV e roteador entram como equipamento que dissipa calor.
- Compare o IDRS antes da capacidade. Entre dois aparelhos de 12.000 BTU/h, a distância de consumo chega a 3,30 vezes. Ela reaparece em toda conta de verão.
Esses sete itens são exatamente as entradas de um cálculo de carga térmica de quarto. A calculadora de dimensionamento do Energímetro, que vai receber área, pé-direito, ocupantes, área de vidro, orientação, sombreamento e equipamentos, ainda não está no ar.
Enquanto ela não sai, o atalho honesto é este: mais de 2,96 m2 de vidro oeste sem veneziana externa clara, decida por 12.000 BTU/h e gaste o tempo economizado comparando IDRS. Menos vidro que isso, ou janela sem sol da tarde, e 9.000 resolve, com os 120,6 kWh por ano da diferença ficando com você.
Fontes
- INMETRO, tabela PBE de Condicionadores de Ar, atualização de 31/12/2025 Consultado em
- MME e CEPEL, Guia para Eficiência Energética nas Edificações Públicas, revisão 2024 Consultado em
- ELETROBRÁS, PROCEL e CEPEL, Sistemas de Ar Condicionado e Refrigeração, 1ª edição, julho de 2002 Consultado em
- INMETRO, Portaria nº 309, de 6 de setembro de 2022, Anexo INI-R Consultado em
- INMET, Normais Climatológicas do Brasil 1991-2020, temperatura máxima mensal Consultado em
Atualizado em .